domingo, setembro 29

Mas nem tudo é má notícia nesta vida. O Botafogo, que parecia seguir lépido e fagueiro (adoro um clichê) para a Segundona, fez uma graça e ganhou de virada do Bahia em plena Salvador. Claro que foi sofrido, senão não seria jogo desse time excomungado; os dois gols foram marcados nos cinco minutos finais da partida. Assisti no Sportv e acompanhei a transmissão da CBN, cujos comentários estiveram a cargo do Arthur Dapieve (é bom escutar alguém que compartilha do seu sofrimento).

Nos intervalos de televisão está sendo exibido o trailer do que parece ser um remake de "O galante Mr. Deeds", clássico do Frank Capra. O papel que um dia foi defendido por Gary Cooper está nas mãos do intolerável Adam Sandler, cujo par romântico é interpretado pela outrora respeitada Winona Rider. A que ponto chegamos, esse mundo está mesmo perdido.
Os prognósticos anteriores foram confirmados, resfriado de novo. O bom senso mandava que neste momento eu estivesse deitado tentando dormir. Só que não sou dotado de tal virtude, o que explica minha presença aqui. Digito e espirro, digito mais um pouquinho e tusso; aos poucos a tela do monitor vai sendo coberta por perdigotos. Certamente não é uma cena bonita de se ver. Mas a situação não é tão ruim assim, ao menos não estou febril... ainda. Chato mesmo é ser vítima constante da patrulha dos saudáveis (é pior do que a ideológica), não podem ver alguém de aspecto doentio que vão logo acusando: "Tá mais branco do que macarrão da Santa Casa, hein!". Troço desagradável.

sexta-feira, setembro 27

Ando ligeiramente desconfiado de que ninguém mais lê este pobre blog, mas não os culpo, afinal masoquismo tem limites. Quando confiro as estatísticas do contador, tudo que vejo são dezenas de acessos feitos por almas solitárias à procura de fotos da Serena Williams (mexi em casa de marimbondo). Tô basicamente escrevendo pr'eu mesmo ler... o que não deve ser uma experiência tão inusitada assim, a julgar pela enorme quantidade de blogs existente. Diante desse grau de exclusividade eu poderia adotar um discurso mais egocêntrico, com tudo girando ao redor do meu umbigo mal lavado (li essa expressão outro dia, gostei). É, quem sabe...
Acho que existe uma tese sobre a vida nada mais ser do que uma inesgotável série de eventos repetidos. Se for esse o caso, então estou dando a minha humilde contribuição para seu fortalecimento. Essa sensação de que fiz um gargarejo com areia não deixa dúvidas, é prenúncio de mais uma gripe. Tô borrifando a garganta com spray de mel com própolis mas não acredito que vá adiantar muita coisa, até porque a data de validade dele tá vencida (espero que isso não mate, seria um final patético). É lamentável, mas a temperatura baixa dos últimos dias foi demais para o meu duvidoso sistema imunológico. Talvez eu não devesse ter andado debaixo de chuva aquele dia.

quarta-feira, setembro 25

Estou sem nenhum ânimo para escrever a sério, me limito a postar esses comentários bobos em cima de generalidades. Portanto, mesmo que ninguém tenha pedido, vou listar os livros que andei lendo ultimamente. Terminei "Febre de bola", do Nick Hornby, e "Sem plumas", do Woody Allen. O primeiro tem momentos divertidos, mas chega uma hora em que o tema futebol começa a cansar. O outro vale pelas duas peças teatrais do Woody, muito boas. Agora comecei a ler "O condenado" (Brighton Rock), do Graham Greene; é sobre uma gang de delinqüentes que aterroriza um balneário inglês. Fiquei interessado no livro porque os integrantes da tal gang (Dallow, Spicer, Pinkie e Cubitt) são os amigos citados pelo Morrissey na letra de 'Now my heart is full':

There's gonna be some trouble
A whole house will need re-building
And everyone I love in the house
Will recline on an analyst's couch quite soon
Your Father cracks a joke
And in the usual way
Empties the room


Tell all of my friends
(I don't have too many
Just some rain-coated lovers' puny brothers)
Dallow, Spicer, Pinkie, Cubitt
Rush to danger
Wind up nowhere
Patric Doonan - raised to wait
I'm tired again, I've tried again, and


Now my heart is full
Now my heart is full
And I just can't explain
So I won't even try to


Dallow, Spicer, Pinkie, Cubitt
Every jammy Stressford poet
Loafing oafs in all-night chemists
Loafing oafs in all-night chemists
Underact - express depression
Ah, but Bunnie I loved you
I was tired again
I've tried again, and


Now my heart is full
Now my heart is full
And I just can't explain
So I won't even try to

segunda-feira, setembro 23



Se até o Tutty Vasques aderiu...
Deve existir pouca coisa mais esquisita do que sonho recorrente, anteontem tive uma experiência do gênero. O sonho original é meio antigo, nele eu caminho pros lados do Leme e chego numa longa travessa cercada por prédios altos. Apesar do sol brilhante a atmosfera do local é bastante opressiva, não há viv'alma nas redondezas. Temeroso, eu completo o trajeto e entro num prédio velho e sujo para assistir uma aula não sei de quê. Só que fico o tempo todo olhando pela janela, ciente de que algo lá fora não me deixará realizar o caminho de volta. Acaba aí.
Agora o de anteontem: Estou conversando com uma conhecida e por algum motivo acredito que ela também esteve no tal prédio assistindo a aula. Quando penso em esclarecer a situação, começo a me questionar se aquela lembrança é real ou apenas um sonho. Não houve jeito, acordei assim que a metafísica entrou em campo.
Também costumo ter sonhos recorrentes quando doente, mas as situações são abstratas demais para serem descritas.

domingo, setembro 22

Pensei que seria uma boa idéia colocar aqui um ranking das mais belas personagens dos quadrinhos (típica idéia de nerd), só que não consigo lembrar de praticamente nenhuma. Foi-se o tempo em que eu tinha uma vasta coleção de HQ's para pesquisar (passei tudo nos cobres no fim da adolescência). Só restaram como lembrança os álbuns do Asterix e do Tintim, duas obsessões de infância. Sendo que o último eu ainda estou tentando completar; outro dia encontrei por 1 real uma edição que estava faltando. Mas o problema do Tintim é que ele é um célebre misógino, o dito sexo frágil não tem vez em suas aventuras, portanto não poderá me auxiliar na confecção da lista. Com certa dose de boa vontade eu poderia citar a esposa do Veteranix, coadjuvante de algumas histórias do Asterix. A Mary Jane, namorada do Peter Parker, também era bonita, mas eu nunca simpatizei com ela.
Admito, a minha memória está mesmo terrível. Mas apesar disso, acho que o título fica bem entregue nas delicadas mãos da lourinha Honey, beldade criada por Alex Raymond, que já nos tempos de Flash Gordon tinha dado forma a lindas heroínas. Após voltar da II Guerra, ele se superou ao lançar Nick Holmes (Rip Kirby), tirinha estrelada por um ex-oficial da Marinha que trabalha como detetive particular em Nova York.
Ao contrário dos tipos durões consagrados por Dashiell Hammett e Raymond Chandler, Nick é um intelectual de hábitos refinados, além de felizardo namorado da modelo Honey Dorian. A imagem acima é de sua memorável estréia nos quadrinhos (nunca mais se viu tanta pele à mostra). Coitada, se derretia toda pra cima do Nick e em troca era tratada com indiferença. Um desperdício imperdoável. Também, não dava para esperar outra atitude de um sujeito que usa robe de chambre.

quarta-feira, setembro 18

A indigência dos cadernos culturais ainda é capaz de me surpreender. Não basta mais serem pautados por Caetano, Gil, Marisa Monte, Zeca Baleiro (pode acreditar!), etc. Hoje, o Globo saiu-se com uma matéria sobre o iminente disco do Kid Abelha (corram para seus abrigos!). Como se isso não fosse má notícia suficiente, há um grande destaque para Paula Toller e sua nova faceta revelada através de letras engajadas. Me desculpem mas eu vou dar um exemplo: Vamos falar mais baixo/ Vamos falar pra escutar/ Uma barriga roncando/ Uma mamãe chorando.
Ai, meu saco...
Isso é que é ser imprudente. Li no jornal que o Lula se desloca pelo Brasil afora utilizando um jatinho da TAM. Fica a pergunta, de que adianta ser o candidato favorito a vencer as eleições se ele não vai estar vivo até lá?

segunda-feira, setembro 16

Minha intenção era apenas fazer um comentário despretensioso sobre a final do US Open. Acabei descobrindo que existe uma demanda fortíssima por fotos da Serena Williams vestindo o tal catsuit. E tudo visitante estrangeiro, pelo menos é o que diz o contador. Já que blog também é utilidade pública... So, if you're looking for a picture of Serena's new outfit, check this link out.
Já não tinha visto durante a semana e quase perco a reprise dominical do programa em que o Bill Clinton foi entrevistado pelo David Letterman. Foi por pouco, zapeei os canais no momento exato. Comentário que se impõe: O homem tem uma lábia impressionante, conseguiria vender um carregamento de guarda-chuvas para um beduíno no deserto do Saara; os Estados Unidos desceram a ladeira feio quando instalaram Bush, o obtuso, na cadeira de presidente.

sábado, setembro 14

The first of the gang to die em mp3. Canção inédita que o Morrissey tocou após ser entrevistado no talk show do Craig Kilborn. Eu gostei, soou melhor que boa parte dos últimos dois discos. Mas por enquanto nenhum sinal de álbum novo... sem gravadora fica meio difícil mesmo.

You have never been in love
until you’ve seen the stars
reflect in the reservoirs


And you have never been in love
until you’ve seen the dawn rise
behind the home for the blind


We are the pretty petty thieves
and you’re standing on our streets
where Hector was the
first of the gang with a gun in his hand
and the first to do time
the first of the gang to die
Oh my


Hector was the first of the gang
with a gun in his hand
and the first to do time
the first of the gang to die
Oh my


You have never been in love
until you’ve seen the sunlight thrown
over smashed human bone


We are the pretty petty thieves
and you’re standing on our streets
where Hector was the first of the gang
with a gun in his hand
and the first to do time
the first of the gang to die
Such a silly boy


Hector was the first of the gang
with a gun in his hand
and a bullet in his gullet
and the first lost lad
under the sod


And he stole from the rich and the poor
and the not very rich and the very poor
and he stole all hearts away
He stole all hearts away
He stole all hearts away
Away...

Bacana, nesse site é possível consultar quais músicos possuem a mesma data de aniversário que você. Ele também informa a música que estava no topo das paradas no dia do seu nascimento. Estão aí os meus decepcionantes resultados:

1943 Bobby Harrison
drums, Procol Harum
1948 John Martyn
singer / songwriter, guitarist
1965 Saul Davis
guitar, violin, James

The U.K. No.1 was... I'm Not In Love by 10cc
The U.S. No.1 was... Love Will Keep Us Together by Captain and Tennille

sexta-feira, setembro 13

Bom slogan para a conjuntura atual: Chega de intermediários! Fernandinho Beira-Mar para o Governo do Rio.

Até gostaria de ser um espectador fiel do horário eleitoral, só que lamentavelmente minha alma não está imbuída desse espírito de abnegação. O que não me impediu de testemunhar as aparições de Thelma Maria, candidata a deputada federal pelo Partido da Causa Operária. Chega a espantar a modéstia de suas promessas: salário minimo de 1.500 reais, vai acabar com o desemprego e, se bobearem, dá um pulo na terra do Tio Sam e passa um esculacho no Bush Jr. Mas isso é o de menos, o que realmente interessa é o visual um tanto lisérgico de seu filmete. Vamos à descrição: em primeiro plano surge nossa heroína, sempre trajada com uma blusa preta de gola alta; olhar fixo num ponto qualquer do horizonte, ela despeja sua cantilena sem movimentar um músculo da face; enquanto isso o fundo, através do efeito croma key, exibe borrões vermelhos em movimento. Apagados os caracteres e tendo 'White rabbit' como trilha sonora, poderia facilmente se passar por um clip do Jefferson Airplane.

Poxa, será que o Rubens Ewald Filho lê o meu blog? O programa dele no Telecine teve, no quadro dedicado aos coadjuvantes, uma matéria sobre a Thelma Ritter, tema de um post que escrevi há umas duas semanas.

quinta-feira, setembro 12



Comentário pra lá de atrasado, mas que se dane. Foi bem fraquinha a final do US Open entre as irmãs Williams, hein? Jogo em que as duas se enfrentam é garantia de erros em profusão. Se não me engano foi o terceiro título seguido de Grand Slam que elas disputaram (Serena venceu os três), e no que depender de força física será sempre assim. E eu achava ruim quando a Martina Hingis dominava o circuito feminino... era feliz e não sabia.
É baixaria fazer esse tipo de observação, mas não consigo evitar. Ver a Serena Williams exibindo tanta fartura a bordo do infame catsuit me lembra uma passagem do Cândido de Voltaire na qual ela enfrentaria um mau pedaço. No tal trecho, a velha narra o episódio em que se encontrava sitiada num forte ao lado de famintos soldados turcos. Quem já leu vai entender.

Tava vendo uma entrevista do John McEnroe no programa do David Letterman e reparei num troço, o ex-tenista é a cara do Raymond McGinley do Teenage Fanclub (acho que o inverso seria mais correto).

quarta-feira, setembro 11

Chegou o tal do 11 de setembro. A televisão já passou os últimos dias enchendo o saco com esse assunto, hoje deve ocorrer o ápice da pieguice. Provável que o Bush aproveite a data para iniciar alguma guerra e implodir logo essa droga de mundo (ninguém vai sentir falta mesmo). Portanto, see you at the barricades, babe.
Até que eu gostaria de ter algo interessante para colocar aqui, mas ando sem a menor inspiração. Escrever esses resmungos sobre a gripe já foi um feito incrível, dado o meu raciocínio embotado - acho que a febre estorricou os neurônios que restavam. Já são duas horas da madrugada e só não estou dormindo porque dei uma cochilada no início da noite, agora vai ser duro pegar no sono de novo. O jeito é navegar pelos blogs da vida, comer pão com muzzarela e azeitona picada e beber guaraná. É, eu só como besteira (pena que não tinha pizza gelada). Provavelmente sou magro de ruim, como diriam os antigos.
É sinal de que a velhice me alcançou. Nos bons tempos o máximo que acontecia era eu ter um resfriadinho mixuruca, ficava bom rapidamente. Febre, então, era um troço raríssimo de aparecer. Após quase duas semanas eu ainda estou me sentindo um morto-vivo. E essa frente fria? Eu detesto calor, mas ela tinha que aparecer justamente quando eu estava me livrando da gripe? Fica sempre uma ameaça de recaída.

quarta-feira, setembro 4

Não é possível, já é a terceira gripe do ano, eu devo estar anêmico. Difícil escolher o que é pior: dor de garganta, tosse, febre, nariz congestionado, face dolorida... Mas o que mais assusta é você estar debaixo de três cobertas e mesmo assim tremer de frio, só melhorei após suar mais que executivo andando no Centro do Rio em pleno verão. Ô vida...

domingo, setembro 1

Da NME:

FAN-TASTIC
TEENAGE FANCLUB are to release a career-spanning best of later this year containing three brand new tracks. '4,766 Seconds - A Short Cut To Teenage Fanclub' is scheduled for release on November 4. The 21-track compilation contains highlights from the band's six studio albums, including 1990 debut single 'Everything Flows' and the band's biggest chart hit, 1997's 'Ain't That Enough'. The three new tracks are titled 'The World'll Be OK', 'Empty Space' and 'Did I Say'. The full tracklisting is:


'The Concept'
'Ain't That Enough'
'The World'll Be OK'
'Everything Flows'
'Star Sign'
'Mellow Doubt'
'I Need Direction'
'About You'
'What You Do To Me'
'Empty Space'
'Sparky's Dream'
'I Don't Want Control Of You'
'Hang On'
'Did I Say'
'Don't Look Back'
'Your Love Is The Place Where I Come From'
'Neil Jung'
'Radio'
'Dumb Dumb Dumb'
'Planets'
'My Uptight Life'


Maravilha, mas cabe uma pergunta: cadê 'Alcoholiday'?!
Pelo menos serviu para tirar o mofo do noticiário eleitoral essa polêmica proibição da Marinara (meu Deus, como classificar a Marinara? Diz o Globo que ela é "policial e modelo"... então tá!) aparecer no horário gratuito vestindo apenas lingerie. O azar dela foi o bispo que manda no partido não concordar com a tática de angariar votos dos eleitores mais libidinosos. Obviamente o meu primeiro impulso é tascar aquela frase lapidar: "Só no Brasil é que acontece uma coisa dessas". Mas aí a gente logo se lembra que uma atriz pornô como a Cicciolina conseguiu ser eleita deputada na Itália. Cenas memoráveis de sua campanha eram exibidas nos telejornais e sempre tinham o mesmo roteiro: Cicciolina caminhando seminua no meio da malta e sendo bolinada pelos eleitores em potencial. Neguinho também reclama de um cartola picareta (que pleonasmo) como o Eurico Miranda ser eleito deputado, mas se esquece que o Silvio Berlusconi foi alçado ao posto de Primeiro Ministro pelos italianos. O mais incrível é que, apesar disso tudo, a Itália ainda é considerada um país sério.